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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Liderar não é Coisa Para Criança



 Por Marcos Aurélio dos Santos

Alguns de nossa liderança ainda caminham engatinhando como meninos de colo. Não tem os pés firmados no chão e não sabem bem para onde vão. Na sua fragilidade,  precisam da orientação dos pais para caminhar. Revelam um comportamento infantil e débil. Confundem liderar com dominar, preferem a auto-sustentação em vez do serviço ao próximo. Determinam a ultima palavra em detrimento do diálogo, não admitem ser questionados demonstrando sua soberba, aborrecendo assim a humildade. Desejam que seus pés sejam lavados em vez de lavar os dos outros.

Para abandonar as coisas de menino é preciso aprender com Jesus de Nazaré. O Líder servo, o do caminho, o Servo sofredor, da partilha, da comunidade. O Deus que em sua encarnação veio em forma de Servo.

Nunca desejou ostentação, mas como ele mesmo disse, Não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida a favor de muitos. Deixar o comportamento infantil implica em não ver o ambiente de liderança como um espaço de disputa para ostentação e poder, mas uma oportunidade dada por Deus para servir ao próximo. Liderar deve ser por amor, pois este vence tudo, doa-se, suporta, perdoa, ensina, caminha junto e não busca seus próprios interesses, mas os dos outros.

Liderar com maturidade é compreender de forma clara que o discipulado não é para formar seguidores para si, mas discípulos de Cristo. Não são forjados para serem obedientes a um sistema religioso, mas chamados para a fidelidade a Cristo e sua missão.

Oremos por uma Liderança servidora, que aborrece a ostentação, a egolatria e o poder, mas que segue aprendendo no o exemplo de Cristo, nosso modelo perfeito de liderança serva.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Liderando à Maneira de Cristo

Por Marcos Aurélio dos Santos 

Deus em sua maravilhosa Graça e soberania resolveu conceder dons aos homens. Em meio à diversidade de dons e ministérios distribuídos no corpo de Cristo, somos chamados para liderar seu rebanho. Prover alimento saudável, cuidar dos ferimentos e proteger as ovelhas das feras predadoras são algumas das responsabilidades do líder.
No entanto, a liderança da igreja brasileira tem grandes desafios pela frente, pois esta passa por uma crise de identidade quanto as suas atribuições. Gradativamente nossos líderes têm deixado de observar e imitar o exemplo daquele que em sua encarnação nos ensinou um modelo de liderança servidora. Abandonamos a missão de lavar os pés uns dos outros ( Jo.13.14   ).   
São várias as causas que levaram a liderança cristã a se distanciar de seu papel fundamental que é o serviço. Dentre vários podemos citar: 

O tradicionalismo onde se prioriza os ritos, códigos e dogmas estabelecidos pelo sistema religioso, o centralismo que aponta apenas um individuo como cabeça e que os liderados devem estar submissos ao seu “comando”, a proibição da liberdade de pensamento onde geralmente as ideias partem pré-determinadas por um só e não por uma equipe e o obter vantagens financeiras em detrimento da fé dos desavisados e desenformados.  

Dentre outros motivos, se encontra também a ausência de ética nas relações e ações das lideranças evangélicas que por sua vez tem gerado descredito por parte de uma considerável parcela do povo evangélico.

Este perfil de liderança tem acarretado sérios prejuízos a Igreja do Senhor Jesus, pois este se contradiz com as palavras de Cristo “Apascenta as minhas ovelhas” ( Jo.21.16-17).  O centro da crise está na ausência do apascentar, do serviço, de apontar Cristo como pastor das ovelhas.

Mas Deus em sua infinita misericórdia chama sua liderança a retornar ao primeiro amor (Ap. 2.4), ele nos convoca ao arrependimento (Mt.3.2). Nisto habita a esperança a transformação e o servir.

Deus quer transformar sua liderança. Ele ama seu povo e jamais os deixará dispersos, haverá de levantar, reparar e capacitar líderes segundo seu coração, com profundo desejo de cuidar, guiar o rebanho, conduzindo-os a pessoa do Filho, daquele que é o modelo para uma liderança cristã que transforma. 

Nos propósitos do Eterno, está o desejo de contemplar uma liderança que tem como desafio transformar vidas e comunidades. Uma liderança cristã transformadora tem o desafio de mudar a realidade. Como líder do rebanho devemos encorajar os liderados para uma quebra de paradigmas, principalmente na dimensão do serviço, e tudo começa pela reflexão. 

O ponto de partida é refletir sobre a maneira de como as pessoas estão sendo dirigidas, ensinadas e influenciadas, e, consequentemente desafiá-las a uma releitura e reflexão das escrituras onde certamente encontraremos a fonte para as mudanças da realidade existente.

Munido de uma visão renovada e transformadora, o líder poderá exercer o estilo de liderança proposto por Jesus. Ele disse:

“Então, Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal; e qualquer que, entre vós, quiser ser o primeiro, que seja vosso servo, bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mt 20.25-28).

Liderar é tarefa para quem gosta de servir. São os garçons do Reino. A virtude do líder não está em sua facilidade de articulação, de estratégias, de eficácia em gestão, mas em sua capacidade de conduzir o rebanho até Cristo que é o pastor das ovelhas. Este fica em posição de retaguarda apontando a pessoa de Jesus para os liderados. A relevância de um líder está em sua disposição para servir ao próximo expressando o amor de Cristo em atos de misericórdia e justiça. 

Os que estão guiando as ovelhas em direção ao Sumo Pastor cabem a missão de acolher, apascentar, alimentar e cuidar do rebanho. Devem estar dispostos há sacrificar seu tempo para ouvir, aconselhar e encorajar outros, sofrer o dano, suportar as críticas e criticar, deve sempre usar de equilíbrio e flexibilidade para resolver questões complexas, oferecer ombro amigo também é tarefa primária do líder. É um exercício de espiritualidade que imita a pessoa do Cristo sofredor. 

Para mudar a realidade, é preciso encarnar estes valores do Reino, acreditando em mudanças e transformações. Liderar à maneira do Mestre, que se esvaziando de si mesmo, tomou forma de servo, veio como homem para servir aos homens, veio em carne e em sua humanidade demonstrou de maneira maravilhosa o amor de Deus fazendo o bem a todos, onde na cruz encontramos a expressão máxima de seu amor pelo mundo. (Jo.3.16; Fp.2.7)

Líderes que transformam aborrecem todo o tipo de ostentação e poder, antes amam a simplicidade e o serviço. A articulação da mãe de Tiago e João, filhos de Zebedeu para garantir um lugar de honra aos seus filhos e resposta de Jesus nos traz clareza sobre este questão. Mateus nos informa:

“Então, aproximou-se de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e, prostrando-se, fez-lhe um pedido. “O que você quer”?”, perguntou ele. Ela respondeu: "Declara que no teu Reino estes meus dois filhos se assentarão um à tua direita e o outro à tua esquerda". Disse-lhes Jesus: "Vocês não sabem o que estão pedindo. Podem vocês beber o cálice que eu vou beber?” "Podemos", responderam eles. Jesus lhes disse: "Certamente vocês beberão do meu cálice; mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim conceder.

“Esses lugares pertencem àqueles para quem foram preparados por meu Pai”. Quando os outros dez ouviram isso, ficaram indignados com os dois irmãos. Jesus os chamou e disse: “Vocês sabem que os governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas”. Não será assim entre vocês. “Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt. 20:20-28).

No Reino, a pirâmide é invertida. O líder sempre será o ultimo e nunca o primeiro. A motivação que nos leva a labutar na obra de Deus não deve ser uma premiação diferenciada da parte do Senhor, mas a aspiração para ser servo. Pedir ao Pai que nos conceda privilégios em seu Reino é insensatez, pretensão ambiciosa, é falta de humildade, é querer se apossar de um trono que já está ocupado desde a fundação do mundo no qual não lhe pertence.    

Deus é soberano sobre sua liderança. Todo líder deve ter consciência quanto ao seu ofício e submissão a Cristo, pois ele disse: “sem ele nada podemos fazer” (Jo.15.15). É preciso reconhecer nossa fragilidade, limitação e fraquezas para que possamos exercer com eficácia nosso papel de líder do rebanho.

Discernir com clareza as dimensões de nosso chamado é tarefa indispensável ao líder. Submeter-se a poderosa mão de Deus em nossas ações nos faz compreender qual é a boa e agradável vontade de Deus para seu povo, pois é isso que importa. Este é o desafio: Que o rebanho seja conduzido não pela nossa força, mas pelo cajado do verdadeiro Pastor e dono do rebanho. 

Então, liderar é servir, é encarnar os valores do Reino para que aconteça transformação. Que o Senhor Jesus por meio de sua soberania e Graça nos encoraje a liderar à sua maneira, no modelo que foi estabelecido pelo Pai para sua glória. Amém!





sábado, 22 de outubro de 2011

Pastores de si Mesmo

Por Marcos Aurélio dos Santos

Veio a mim esta palavra do Senhor:
 "Filho do homem, profetize contra os pastores de Israel; profetize e diga-lhes: ”Assim diz o Soberano Senhor: Ai dos pastores de Israel que só cuidam de si mesmos! Acaso os pastores não deveriam cuidar do rebanho? Vocês comem a coalhada, vestem-se de lã e abatem os melhores animais, mas não tomam conta do rebanho. Vocês não fortaleceram a fraca nem curaram a doente nem enfaixaram a ferida. Vocês não trouxeram de volta as desviadas nem procuraram as perdidas. Vocês têm dominado sobre elas com dureza e brutalidade.  

Por isso elas estão dispersas, porque não há pastor algum, e, quando foram dispersas, elas se tornaram comida de todos os animais selvagens.  As minhas ovelhas vaguearam por todos os montes e por todas as altas colinas. Elas foram dispersas por toda a terra, e ninguém se preocupou com elas nem as procurou.  ‘Por isso, pastores, ouçam a palavra do Senhor: Juro pela minha vida, palavra do Soberano Senhor, que visto que o meu rebanho ficou sem pastor, foi saqueado e se tornou comida de todos os animais selvagens, e uma vez que os meus pastores não se preocuparam com o meu rebanho, mas cuidaram de si mesmos (Ez.34.2-8. NVI).

Profeta de Deus não enrola. Em Ezequiel 34, o profeta denuncia a lamentável situação em que se encontrava o povo de Israel nas mãos de falsos pastores. Lideres que recebiam benefícios das ovelhas como a qualhada, a lã e a carne das melhores ovelhas do rebanho, contudo rejeitaram a missão de cuidá-las (Ez. 34.4). Lideravam com brutalidade, maus tratos e opressão, e isto resultou em dispersão, tornando-as presas fáceis para os animais selvagens (Ez. 34.4-6). 

Mais adiante, o Senhor declara a sentença para os "pastores delinquentes".

A punição resultou em perda da função pastoral dando lugar ao verdadeiro pastor que por sua vez as levaria para pastos verdejantes, onde seriam cuidadas e bem alimentadas. Não seriam mais exploradas, e desprezadas pelos maus pastores.  (Ez. 34.7-12). O refrigério para o rebanho estava na bênção de ser pastoreado pelo próprio Senhor. Ele mesmo haveria de apascentá-las com amor. Não estariam mais sobre o domínio de pastores que apascentavam a si mesmo.

Certo dia, recebi a visita de alguns irmãos no qual Deus pela sua maravilhosa graça me concedeu a bênção de apascentá-los por cinco anos. Tempo depois de minha saída da congregação percebi que algo estava errado. Chegaram até minha casa maltratados, aflitos, dispersos, estavam como ovelhas sem pastor. Recebi a triste notícia que elas haviam sido expulsos de sua congregação pelo fato de não aceitarem as condições impostas pelo seu novo pastor sobre questões financeiras, pois o mesmo com mão de ferro estava dominando e oprimindo o rebanho sem nenhuma misericórdia. Muitos outros foram dispersos. 

Diante da situação preocupante, não tive outra alternativa, se não levá-los para lugar seguro onde seriam acolhidos e bem cuidados. Meses depois foram recuperados e estão servindo ao Senhor com alegria. O restante do rebanho se afugentou em outras congregações próximas do bairro e foram acolhidos.

É lamentável ver em nossos dias um comportamento tão desprezível por parte de alguns pastores. Líderes que apascentam a si mesmo, indivíduos egoístas, sem amor, sem misericórdia, sem desejo de servir, homens avarentos, dominadores, apaixonados pelo poder, amantes da luxuria, pastores que buscam seus próprios interesses em detrimento do próximo, afugentadores do rebanho de Jesus.

Quantas ovelhas não estão dispersas, afugentadas, amedrontadas pela voz dominadora desses indivíduos? Já ouvi testemunhos de irmãos que tiveram depressão por causa de ameaças de pastores dominadores que a todo custo queriam realizar seus próprios interesses sacrificando o rebanho. Outros andam amedrontados, inseguros temendo algum tipo de opressão, aterrorizados com a possibilidade de serem punidos com rigor, caso forem encontrados em falha pelo pastor dominador. Longe está a misericórdia, afugentado está o perdão, não há lugar para a compaixão, pessoas que foram libertas da escravidão do pecado pelo poder do evangelho da cruz, estão escravizadas por aqueles que pastoreiam a si mesmo. Misericórdia!

Não muito distante estão aqueles que rejeitando o chamado para servir, trilharam no caminho da avareza, tornando-se profissionais da fé, mercadejantes da palavra, negociadores do evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, amantes da riqueza, acumuladores de tesouros terrenos. Taparam seus ouvidos  e não deram crédito ao ensinamento de Jesus a cerca dos valores do reino, não cultivaram valores espirituais mais se encheram de si com suas concupiscências loucas acumulando para si, fartando-se em seus celeiros , sendo engodados por falsos ensinos, desprezando o que é real e verdadeiro.

Pastores de si mesmo negam a missão de levar a cruz. Preferem ganhar o mundo inteiro em troca de sua alma, trocam o eterno pelo terreno, o santo pelo profano apenas para satisfazer seus próprios desejos (Mc. 8.36-37), não sentem desejo de servir, mas fazem questão de serem servidos, não admitem serem questionados, julgam-se donos da verdade, acham-se infalíveis, causam terror ao rebanho, seus olhos passam longe do aflito, do necessitado, do pobre, acumulam para si, carismáticos com pele de ovelha, mas por dentro escondem um coração de lobo voraz, aborrecedores do bem, semeadores de contendas, opressores, amantes de si mesmo, caluniadores, seus corações estão cheios de maldade.

O ai do capítulo 34 versículo 2 do livro de Ezequiel, revela a seriedade e justiça com que o Senhor julgará os falsos pastores. Ele virá e afastará aqueles que não cuidaram do rebanho como deveriam, não serão mais chamados pastores de rebanho, pois negaram a missão, não estavam aptos para servir, faltou-lhes amor, compaixão, misericórdia, cuidado, afeto, disposição para alimentar, óleo para cuidar das feridas, enfim, fracassaram na missão, não foram dignos de serem chamados pastores do rebanho, estes o Senhor não os conhecerá, pois caminharam pelo caminho do mal.

"Mas ele responderá: ‘Não os conheço, nem sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, todos vocês, que praticam o mal! ’(Lc.13.27NVI).

O sumo pastor virá e julgará com retidão e justiça. As ovelhas não devem entrar em desespero porque a grande promessa se cumprirá, ele haverá de apascentar pessoalmente o seu rebanho, no qual foi comprado com alto preço, o valor do sangue derramado na cruz. Aqueles que fizeram do rebanho propriedade sua, mercadoria negociável, que encontraram no evangelho boa fonte de lucro, que maltrataram, oprimiram e feriram o rebanho receberão a justa recompensa, pois o justo juiz os julgará.

Os verdadeiros pastores poderão aguardar pacientemente a vinda do Senhor, pois virá a boa recompensa. Ora, logo que o supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa de glória (1Pe. 5.4). Que o Senhor nos ajude.